27/01/2017





Com 15 anos Gislene Charaba começou a trabalhar como modelo. Aos 22, ela passou a viver da profissão. Descoberta em um concurso de Miss em São Carlos, no Interior de São Paulo, logo ganhou a cidade grande. A modelo participou do Miss Acre, venceu, e representou o estado no Miss Brasil, em 2003. Desde então, sua carreira decolou. Ela passou a assinar Gi Charaba e desfilou por passarelas de vários lugares do mundo. Estrelou catálogo de marcas famosas, clipes, foi modelo de lingerie por seis anos e chegou até a ser dublê de Ivete Sangalo. Mas a descoberta de um câncer de mama aos 30 fez com que os rumos da vida da modelo mudassem totalmente.
“Eu tinha um plano de saúde em conjunto com um ex. Fiz uns exames em 2014 e deu só alguns nódulos nos seios. O namoro terminou e parei de pagar. Como nunca fiquei doente, não dei atenção. Comecei a trabalhar para uma marca famosa e não parei mais, comecei a ganhar dinheiro e viver para trabalhar, a vida de modelo tem hora para acabar. Estava me doando ao máximo, quando em março de 2015, senti um caroço, mas não dei atenção, achei que não era nada. Daí ele escureceu a pele da minha mama esquerda e cresceu muito. Com medo, comecei a procurar me informar, fiz um ultrassom e um amigo meu conseguiu biópsia e mamografia para mim. Soube que estava com câncer em agosto. Se fosse esperar a fila do SUS demoraria mais oito meses para chegar ao diagnóstico”, relembra.
Quando descobriu o câncer, Gi precisou parar de trabalhar para correr atrás de tratamento. O tumor media 7cm e já tinha sido constatada uma metástase óssea. Apesar de ter conseguido uma vaga filantrópica em um dos melhores hospitais do país, o Sírio Libanês, ela teve de ser transferida para o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira por conta do estágio avançado da doença. A mudança deu certo e em um ano o tumor regrediu três centímetros. Ainda assim, a modelo sofre com as reações do tratamento.
“Passei a fazer quimioterapias, o tumor cresceu muito rápido, queimou a minha pele. Estou na segunda fase, ainda faltam dez. Meu cabelo começou a cair 15 dias depois da primeira sessão. Precisei raspar a cabeça para guardar o cabelo e tentar usar no futuro. Ganhei uma prótese capilar de uma amiga que está na fase final do tratamento. Os cílios já diminuíram e sobrancelhas também. Mesmo com a imunidade baixa, estou respondendo bem. Só depois das quimios que terei o prognóstico certo. Mas me deram chances significativas, apesar de um oncologista famoso dizer que na maioria dos câncer tratado no SUS ou você morre ou ele volta. Isso é um choque, mas ... estou tentando sobreviver”.
Por conta da doença, ela perdeu 80% dos trabalhos que fazia e viu sua renda cair bruscamente. Ela ainda não conseguiu o auxílio doença ao qual portadores de câncer têm direito, e está vivendo com a ajuda de doações e com as economias que juntou ao longo da carreira.        


"Tenho trabalhado pouco, mas ainda consigo. É muito difícil. Casting eu não consigo pegar nenhum, também não consigo trabalhar oito horas diárias. Tinha uma grana guardada pra comprar meu apê. Estou vivendo com ela e com a ajuda de umas pessoas. Principalmente da ‘Fruit de la Passion’ (marca famosa de lingerie).  No SUS ganho os coquetéis, mas vitaminas e auxiliares não tenho. Se antes da doença vivia com R$ 7mil, agora tenho R$ 2.500 de ajuda e doações. Gasto praticamente tudo com aluguel, contas e ainda tiro um pouco da minha poupança. O que vende é saúde, corpo sarado, bronzeado. Mesmo sem aparentar muito, a doença está em mim, mas eu quero trabalhar. Posso fotografar, desfilar. Tenho um caminho longo de tratamento pela frente e se eu não conseguir me manter em São Paulo, não conseguirei terminar o tratamento. Ainda tem a cirurgia e radioterapia. Vou ser tratada por pelo menos mais cinco anos. Não sei se vou poder engravidar... Não quero ser coitadinha. Eu pego ônibus, metrô, o que der para fazer”, diz ela
A modelo relata sua luta contra o câncer no Instagram (@gicheraba). Lá ela faz posts motivacionais sobre a doença e dá apoio a pessoas que passam pelo mesmo problema. Gi busca ser uma digital influencer, fazer publiposts, trabalho que poderia fazer de casa. Mas, por não ter um número expressivo de seguidores, ouviu alguns nãos pelo caminho.
Eu preciso ser grande. Ter seguidores. Entendo o lado dos clientes e quando vem um não, falo ok. Mas não desisto. Quero ajudar as pessoas e ser ajudada. Quero que as pessoas se conscientizem e não falem do câncer de mama só em outubro”.
Apesar da garra, a modelo também tem seus momentos de fraqueza. Ela conta com a ajuda de um grupo de apoio, no whatsapp, chamado ‘Amigas do peito’, onde mulheres que passaram e estão passando pela mesma situação se ajudam. Além disso, ela se apega a fé e a memória da mãe.
“Tenho medo do futuro. Quando estou triste, choro, converso  com a minha mãe... Tento conversar com Deus e ver o que Ele quer comigo. Tenho certeza que Ele me escolheu porque sou boa de briga”, diz a modelo.


Fonte: ego

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2 comentários:

  1. cade os famosos e pessoas ricas que era do convivio dela e os homenes que ela sempre desfez e nessa hora que sabemos os verdadeiros amigos e amigas não deu valor no passado vai dar valor no presente......sinceras palavras

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  2. Tbm estou nessa luta e comecei meu tratamento ha um mês e deu metastase nos ossos,pq demora muito p vc conseguir atendimento e realmente p termos o direito ao beneficio é uma burocracia muito grande,mitas tendo q recorrer a justiça pq o inss esta negando,eu tbm ainda não consegui e descobri em julho de 2016,mas o resultdo da biopsia só em outubro,mas a familia esta me ajudando e bancando os custos e lamentavel seu oncologista falar q quem trata no sus ou morre ou volta,eu estou no inca e q eu saiba é um hospital de referencia,apesar da crise ter afetado,estou otimista com meu tratamento,mesmo sabendo q vou ter q cuidar p resto da vida.Mas p deus nada é impossivel.

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