14/01/16



Apresentador da BBC mostra quais alimentos requerem mais cuidados na hora de reaproveitar as sobras para esquentá-las; veja dicas sobre como evitar intoxicação

Requentar comida parece um jeito ótimo de evitar o desperdício e economizar. Mas quando esse simples ato pode ser perigoso? O médico e apresentador da BBC Michael Mosley foi atrás da resposta. 
Mas então, qual é a regra? Como e quando é seguro requentar sua comida?

Perigo no frango
Carne de frango exige uma série de procedimentos de higiene
A intoxicação é geralmente causada por uma bactéria que contamina sua comida. A maior culpada é uma chamada Campylobacter (ou bactéria retorcida). De acordo com a agência de segurança alimentar (Food Standars Agency), ela está presente em mais de 65% dos frangos à venda no Reino Unido.
Essa bactéria pode sobreviver algumas horas em superfícies da cozinha e se espalha facilmente. É por isso que não é uma boa ideia lavar o frango antes de cozinhá-lo: o melhor é colocá-lo direto no forno após temperá-lo – e lavar bem as mãos depois disso.
A chave para matar bactérias é usar o calor. Por isso, cozinhar totalmente o frango (sem deixar partes cruas) é fundamental.

Espere esfriar
Agora falando em casos gerais: o que fazer quando sobrou um pouco da sua deliciosa refeição?
Primeiro de tudo, você precisa esperar ela esfriar antes de colocá-la na geladeira.
Colocar comida quente no refrigerador faz com que sua temperatura interna aumente, criando assim uma incubadora perfeita para bactérias e afins.
Já fiz testes e a temperatura da minha geladeira chegou a aumentar em mais de 5 graus.
Então, cubra o recipiente da comida, espere que ela chegue em temperatura ambiente (mas não deixe mais de quatro horas sem refrigeração) e só então coloque na geladeira.
Quantas vezes posso requentar a mesma comida?
A agência britânica recomenda que se requente uma refeição apenas uma vez. Porém, a verdade é que é seguro fazer isso várias vezes, desde que a comida tenha sido colocada no refrigerador conforme explicado acima.
Mas tenha em mente que o sabor do prato não vai melhorar a cada reaquecimento.
Outro segredo é requentar totalmente sua comida. Nós costumamos fazer isso no micro-ondas, o que pode ser um problema.
Isso porque ele esquenta a comida de maneira desigual, deixando áreas frias, onde as bactérias podem prosperar.
Assim é importante que, ao usar o micro-ondas, você retire o alimento no meio do processo, dê uma boa mexida e depois coloque para esquentar novamente.
Arroz indefeso? Talvez não
No caso do arroz, a coisa pode ser mais complexa. Isso porque ele pode ser contaminado por uma bactéria chamada Bacillus cereus.
A bactéria em si é morta com o calor, mas alguns esporos produzidos por ela não são apenas tóxicos, como também extremamente resistentes a altas temperaturas.
E isso pode causar o que conhecemos como "síndrome do arroz frito", batizada com esse nome porque antigamente era comum as pessoas ficarem doentes depois de comerem em bufês de comida chinesa, onde o prato era deixado em temperatura ambiente por várias horas.
Atualmente, os padrões de higiene nesses restaurantes melhoraram bastante.
Apesar desse temor, é seguro requentar o arroz. Eu mesmo costumo usar sobras de arroz do dia anterior para fazer um "stir fry" (método que envolve fritura rápida em fogo alto em um panelão tipo wok).
Mas não deixe o arroz fora da geladeira durante a noite. Assim como a carne, é preciso deixá-lo refrigerado o quanto antes – sempre deixando esfriar antes de colocá-lo na geladeira.
Quais os pratos mais arriscados?
As comidas que são frequentemente requentadas e que a agência britânica lista como potencialmente perigosas são:
-  Carne cozida ou aquelas que contenham carne, como ensopados e lasanhas
-  Molhos à base de leite ou cremes
-  Pratos com peixes e frutos do mar
-  Arroz e massas
-  Alimentos com ovo, feijão, castanhas e outros alimentos ricos em proteínas, como quiches, produtos com soja e hambúrguer de lentilha

fonte: saude.ig.com.br


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