27/11/15






Campanha viralizou nesta quarta-feira (25), apropriando-se da troca de presentes tradicional para discutir temas como machismo e homofobia
Usando como ponto de partida um tradicional costume das festas de final de ano, uma campanha viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (25). O #MeuAmigoSecreto se apropriou da brincadeira de trocas de presentes para denunciar e discutir temas como machismo, homofobia, racismo e corrupção.
Como na brincadeira de trocas de presentes, no qual o participante descreve as qualidades que definem a pessoa presenteada, a campanha também traz descrições de pessoas, casos e situações de constrangimento ou preconceito.
Assim, desde cedo, as redes sociais foram invadidas por uma verdadeira onda de depoimentos em forma de situações frequentes. A grande maioria do público envolvido era feminino, e situações de machismo encabeçaram as denúncias. A professora universitária e feminista Lola Aronovich, de Fortaleza, aderiu à campanha e usou o espaço para discutir a cultura do estupro.
Alguns usuários, por outro lado, aproveitaram o espaço para abordar todo tipo de situação corriqueira que acontece no dia a dia, desde a perda do controle remoto até desentendimentos nas redes sociais.
A campanha dá prosseguimento a um movimento iniciado pela hashtag #MeuPrimeiroAssedio, iniciada em outubro deste ano, com o caso de assédio virtual envolvendo a participante do programa MasterChef Júnior, Valentina Schulz, de 12 anos. Foi criada, também, uma página no Facebook para compilar os relatos feitos na rede social. Até o fechamento desta matéria o espaço já contava com mais de 1.500 curtidas.
Ativistas virtuais
Mas o que torna possível uma campanha atingir um número tão grande de pessoas antes mesmo de completar 24 horas de existência? A mestre em comunicação e semiótica e  professora de comunicação da faculdade Estácio Fic Lígia Sales explica que, ao tornarem-se memes, os movimentos ganham força nas redes sociais. “Os memes são termos, palavras, histórias ou acontecimentos que se propagam rapidamente pela internet graças à cultura de participação, característica natural da grande rede”, explica.
Essa cultura da participação permite que todos com acesso à grande rede possam dialogar, propagar conhecimentos e dar vasão a suas emoções e indignações. “Inclusive esse movimento #MeuAmigoSecreto é um meme que vem dando vazão às frustrações de muitas pessoas em relação ao machismo e ao preconceito”, aponta.
Por outro lado, segundo a especialista, esse movimentos têm vida curta e, com a mesma rapidez que surgem, tendem a chegar ao fim sem, de fato, representar uma mudança social impactante. “Isso acontece porque os chamados  ‘ativistas de sofá’ costumam ter opinião formada sobre tudo e falam com muita propriedade sobre diversos temas, mas, muitas vezes, acabam substituindo o agir pelo discursos. É comum sabermos e discutirmos muito sobre uma determinada situação, mas não fazermos nada ou quase nada para mudá-la”.

A saída, segundo Lígia, seria um maior engajamento político dos indivíduos que ainda permanecem no virtual. “É necessário o comprometimento social, mas isso não quer dizer que a comunicação dentro da web não tenha força de ação politica. Tem sim, quando os participantes conseguem já têm uma participação política forte. É necessário transformar essas demandas em políticas públicas e ações”, finaliza.

fonte: tribuna do ceará
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