26/07/15


As subidas sempre são a parte mais difícil do percurso. No sistema circulatório também. O sangue corre uma maratona para sair dos pés e chegar ao coração. O trabalho é tão duro que músculos, veias e válvulas unidirecionais o ajudam no percurso. Se um deles perde o fôlego, o sangue para, obstrui as veias e as varizes aparecem.


Segundo estudos do Centro de Saúde Escola de Botucatu (SP), o problema atinge 35% da população. Não se trata de uma questão meramente estética. "Se não tratadas, as varizes podem virar hipertensão venosa crônica e trombose. Caso infeccionem, resultam em úlceras varicosas", explica Hilton Waksman, cirurgião cardiovascular do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A genética e os hábitos de vida também impulsionam a dilatação dos vasos. Aprenda a desobstruir seu encanamento.
Os entupidores
Gravidez
Na gestação, há mais chances de as varizes aparecerem por dois motivos. O primeiro é que a maior concentração dos hormônios estrógeno e progesterona tem efeito vasodilatador. O segundo é o aumento do útero, que, mais pesado, comprime os vasos pélvicos, dificultando a circulação. "Para evitar o problema, o ideal é fazer o pré-natal corretamente, não ganhar peso demais e usar meias elásticas", explica Hilton Waksman. A boa notícia é que as varizes originadas na gravidez são as únicas que podem sumir sem intervenção. "Muitas vezes, as veias só dilatam e voltam ao normal." O ideal é esperar pelo menos dois meses após o parto para analisar o grau do problema e iniciar o tratamento adequado.
Salto alto
Uma pesquisa da Divisão de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) comprovou o que a gente já imaginava: salto alto influencia o aparecimento de varizes. "Ele imobiliza o tornozelo, impedindo a contração da musculatura da batata da perna e o bombeamento do sangue", diz o cirurgião. E não importa o tipo de salto, mas sim a altura dele. Na pesquisa, as mulheres usaram modelos agulha e anabela, ambos de 7 cm. O acúmulo de líquidos na perna ficou em 56% no agulha e 59% no anabela, sendo que o normal é até 35%. Por isso, se você tem predisposição, reserve o salto para ocasiões especiais.


Anticoncepcional + Tabagismo
Essa combinação é perigosíssima para quem tem propensão às varizes. O estrógeno, um dos hormônios contidos na pílula, aumenta o risco da formação de coágulos no sangue, que obstruem as veias. O mesmo pode acontecer também na menopausa, com a reposição hormonal. Já as substâncias tóxicas contidas no cigarro são vasodilatadoras. Portanto, cigarro + pílula + fatores hereditários = varizes na certa. Mas nem por isso você precisa abandonar o anticoncepcional. A dica é optar pelas versões à base de progesterona sintética, que podem ser recomendadas pelo seu ginecologista. Já o cigarro, faça o favor de apagar.


Muito tempo parada (sentada ou em pé).
Os tornozelos ficam inchados, doem e no final do dia você sente aquela sensação de peso nas pernas? É sinal de que vêm varizes por aí! Esses sintomas são comuns em quem passa muito tempo sentada ou em pé, pois os músculos são pouco estimulados. Se é o seu caso, a dica é andar por pelo menos 5 minutos a cada hora e meia. Essa pequena caminhada melhora o retorno venoso. "Usar meias elásticas de compressão ajudam a prevenir e diminuem os sinais, mas não curam", define Priscila Nahas, diretora da Sociedade Brasileira de Flebologia e Linfologia.
Carga pesada
Carregar muito peso e com frequência é sinal verde para o surgimento das varizes. O mesmo princípio se aplica à musculação. Esse exercício contrai a musculatura, bloqueando o bombeamento do sangue até o coração. Logo, aposente a Mulher Maravilha. Nada de aumentar a carga dos aparelhos só porque quer efeitos mais rápidos. Precisa carregar peso, como em uma mudança, por exemplo? Chame um homem e deixe que ele faça o trabalho pesado.
Obesidade e sedentarismo
Essa dupla é aliada dos problemas mais temidos, como colesterol alto, hipertensão, diabetes... e varizes também. A obesidade sobrecarrega os membros inferiores e aumenta a compressão abdominal. O resultado disso é má circulação. Nesses casos, o ideal é emagrecer antes de iniciar um tratamento. Sedentárias também estão propensas a ganhar algumas veias sobressaltadas, pois sem movimentação corporal não há estímulo da musculatura. É preciso fortalecer os músculos da panturrilha a fim de impulsionar a circulação venosa. Não só pelosedentarismo, mas por diversas questões de saúde, mexa-se. Valem modalidades aeróbicas leves, como caminhada, ciclismo e hidroginástica, por pelo menos três vezes por semana.
As válvulas de escape
Escleroterapia
Uma agulha bem fina libera um líquido que irrita a região afetada e destrói a veia, deixando uma cicatriz quase imperceptível. As aplicações podem ser feitas semanalmente em consultório médico e a quantidade de sessões depende de cada paciente. Simples e rápida, não necessita de repouso após o procedimento. Logo depois da aplicação, podem surgir hematomas. Por isso não é recomendado tomar sol por pelo menos uma semana. Funciona para as telangiectasias e pequenas veias, sendo ineficiente no caso de varizes. "No caso de microvarizes, como a aplicação provoca uma inflamação nas paredes das veias, pode acabar não resolvendo e até deixando manchas", afirma Waksman. No Brasil, as substâncias mais usadas são a glicose (crioescleroterapia) e o oleato de etanolamina, que têm menor índice de reação alérgica.
Escleroterapia com espuma
O procedimento é o mesmo da escleroterapia. As substâncias polidocanol e tetradecil-sulfato de sódio são agitadas e, em contato com o ar, viram espuma. "O tempo de ação desses princípios ativos aumenta, garantindo maior eficácia no tratamento e acabando com varizes", diz Eduardo Toledo de Aguiar, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Microcirurgia
Pequenas incisões feitas com um instrumento semelhante a uma agulha de crochê retiram a veia afetada. A microcirurgia é realizada em consultório, com anestesia local, e só exige repouso no próprio dia, em casa. Funciona em casos de microvarizes e, como a veia é retirada, não se corre o risco de o problema voltar.
Cirurgia
É indicada para varizes e microvarizes, quando a safena é afetada. O procedimento parece a microcirurgia, mas é feita em hospital, com anestesia peridural. A paciente deve ficar internada por pelo menos um dia, mais dois de repouso em casa. Muitas optam por fazer a operação em uma sexta-feira para repousar no fim de semana. No pós-operatório, é preciso usar meia elástica de 15 a 20 dias. Tomar sol está proibidíssimo.
Laser
Um aparelho emite raios laser que atravessam a pele e aumentam a temperatura do sangue, eliminando o vaso pelo calor. Num teste com 52 pacientes feito por cientistas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, 81% das feridas apresentaram cura total. "O laser somente é indicado para o tratamento de vasinhos (telangiectasias), sendo, portanto, uma técnica bastante utilizada nos casos de vasos superficiais", explica o dermatologista Jorge Mariz, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Recomendam-se, em média, três sessões, com intervalos de 30 dias entre elas. A aplicação de cada sessão dura, em geral, 30 minutos.
Desentupidores
Afora as intervenções mais sérias, há outros coadjuvantes no tratamento e prevenção das varizes, como uma dieta equilibrada. "Os alimentos funcionais são ricos em flavonoides, substâncias que aumentam a resistência das paredes dos vasos sanguíneos. Aposte no consumo de cebola roxa, maçã, brócolis, vinho tinto e mirtilo", aconselha Priscila.
Outro recurso são os medicamentos orais conhecidos como flebotônicos ou flebotróficos capazes de conter o problema. "Eles têm ação cientificamente comprovada", explica a especialista. "As meias de alta compressão servem de coadjuvantes na prevenção; já os cremes que prometem o desaparecimento das varizes são pura enganação", adverte Priscila.
Os tipos de entupimento
  
Há três tipos de dilatações venosas que são consideradas varizes, e para cada um há tratamentos específicos e eficientes
  
1. Telangiectasias
São os famosos vasinhos que não saltam da pele. O incômodo, de natureza basicamente estética, tem chance de virar varizes se não for tratado.
2. Microvarizes
Trata-se das veias sobressaltadas que só ficam visíveis com alguns movimentos.
3. Varizes
São as veias saltadas e tortuosas, visíveis sem esforço ou movimento. É a versão mais perigosa e com mais chance de virar trombose ou flebite.

fonte: mdemulher.abril.com.br
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